II.
Como era de se supor, a controvérsia se estendeu, e ainda se estende, à questão da nomenclatura. Antes de argüir que tal celeuma é bizantina, importa notar que há, na verdade uma base material que revela a evolução dos estudos sobre o homo sapiens ignarus.
Do ignarus nunca se encontraram fósseis completos em um mesmo sitío. Os primeiros registros arqueológicos, advindos da Europa central, imputaram-lhe um lugar na evolução do gênero homo, em algum lugar entre o erectus e o sapiens. Contudo, logo se percebeu, a partir das análises morfológicas mais avançadas, que o ignarus é, na verdade, uma subespécie do homo sapiens.
Contemporâneo do sapiens neanderthalensis, do maurus glutaceus e do sapiens sapiens, foi um dos predadores do paleolítico, compartilhando a mesma estrutura de sociabilidade nômade, de caçador-colhedor. Ao que tudo indica, era um hábil caçador, devido à conformação óssea avantajada dos seus membros – superiores sobremaneira –, o que lhe possibilitou o desenvolvimento de uma potente patada.Os textos de até 10 anos atrás ainda tratavam o ignarus de homo brutus ou homo incivilis. O detalhe anatômico que conforma a patada explica o erro conceitual.
[segue]
Saturday, November 12, 2005
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