Wednesday, September 23, 2009

O trem de Sousa


“Já houve um tempo em que o trem fazia um longo percurso na Paraíba. Cruzava o estado, ia de uma ponta a outra, isto é, da Capital a Cajazeiras. Uma jovem, pobre mas ajeitadinha, teve uma necessidade urgente de ver seus pais na cidade de Sousa, no alto sertão. Sem dinheiro, entrou clandestinamente no trem, e aí o cobrador a descobriu.

- a passagem!

- ai, moço, não tenho, mas eu tenho que fazer essa viagem de todo jeito!

- não pode, vai ter que descer!

- mas moço, eu faço qualquer coisa...

O cobrador, tarado, levou a pobrezinha para o banheiro do trem e a enrabou. Fazia isso em todas as paradas. Pedia a passagem, ela não tinha, ele passava o ferro. Foi quando, chegando a Campina, ela encontrou uma conhecida, que indagou:

- oxente, bichinha, tu vai pra onde?

- se meu cu agüentar, vou até Sousa!

(obs. Faltavam uns 200km e mais, pelo menos, umas quatro paradas)

Causos provenientes do mesmo Baú da Putaria.
As imagens vieram daqui e daqui.

Monday, September 21, 2009

Ainda o homo ignarus [no mercado de campina]

Do mercado de Campina, chega essa outra:

“Um sujeito negro, com dois metros de altura e uma doze lapadas de cachaça na cabeça, chegou numa banca da feira e perguntou”:

- quanto é essa melancia, patrão?

- não é pra vender, não! – respondeu azedo o feirante, e virou-se para outra atividade.

O negão deu um bofete no tabuleiro e gritou:

- eu levo nem que seja a metade, mas que eu levo, eu levo!

O feirante empalideceu, voltou-se prestimoso e explicou que a melancia não era dele e foi falar com o dono para ver se ele cedia uma metade.

- meu amigo, chegou um negão, parecido com um gorila... parecia mesmo era o cão, de tão brabo, querendo comprar a metade dessa melancia...

Nisso, o feirante não havia percebido que o negão tinha vindo junto com ele. Quando olhou pra trás, emendou no repente:

- agora, esse moreninho simpático aqui ‘tá querendo comprar a outra metade... vamos vender, né, amigo?!

Causo (verídico) adaptado do Baú da Putaria, de Rua Vieira (Campina Grande, Maxgraf, 2008).

Ainda o homo ignarus

De uma antiga (e incompleta) série científica deste blog permaneceu o interesse quase antropológico pelo registro das permanências do homo ignarus.

Consta que um engenheiro, Carlinhos,hoje já aposentado da CHESF, natural dos arredores de Campina Grande, era dessa estirpe. "Bruto, pense num caba bruto", como diria Mução.

Certa feita, viajando para Cruzeta-RN, debaixo de severo calor e poeirão do tempo seco, parou em frente a um bar de pé de estrada – depois de muita insistência da esposa, temerosa do ânimo e disposição dos 3 filhos que pinotavam no banco de trás.

- por favor, me dê uma cerveja gelada, amigo, e uma coca-cola!

Olhando pro carro cheio, os meninos e a esposa do engenheiro, o dono do bar perguntou:

- é família, senhor?

- não, disgrama, é uma rapariga e três trombadinhas! – e saiu pisando duro para o banheiro.

Tuesday, September 01, 2009

Aro

O Magro tá dando o aro, digo, usando aro.
Diadema.
Tiara.