Monday, September 21, 2009

Ainda o homo ignarus [no mercado de campina]

Do mercado de Campina, chega essa outra:

“Um sujeito negro, com dois metros de altura e uma doze lapadas de cachaça na cabeça, chegou numa banca da feira e perguntou”:

- quanto é essa melancia, patrão?

- não é pra vender, não! – respondeu azedo o feirante, e virou-se para outra atividade.

O negão deu um bofete no tabuleiro e gritou:

- eu levo nem que seja a metade, mas que eu levo, eu levo!

O feirante empalideceu, voltou-se prestimoso e explicou que a melancia não era dele e foi falar com o dono para ver se ele cedia uma metade.

- meu amigo, chegou um negão, parecido com um gorila... parecia mesmo era o cão, de tão brabo, querendo comprar a metade dessa melancia...

Nisso, o feirante não havia percebido que o negão tinha vindo junto com ele. Quando olhou pra trás, emendou no repente:

- agora, esse moreninho simpático aqui ‘tá querendo comprar a outra metade... vamos vender, né, amigo?!

Causo (verídico) adaptado do Baú da Putaria, de Rua Vieira (Campina Grande, Maxgraf, 2008).

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