Do mercado de Campina, chega essa outra:
“Um sujeito negro, com dois metros de altura e uma doze lapadas de cachaça na cabeça, chegou numa banca da feira e perguntou”:
- quanto é essa melancia, patrão?
- não é pra vender, não! – respondeu azedo o feirante, e virou-se para outra atividade.
O negão deu um bofete no tabuleiro e gritou:
- eu levo nem que seja a metade, mas que eu levo, eu levo!
O feirante empalideceu, voltou-se prestimoso e explicou que a melancia não era dele e foi falar com o dono para ver se ele cedia uma metade.
- meu amigo, chegou um negão, parecido com um gorila... parecia mesmo era o cão, de tão brabo, querendo comprar a metade dessa melancia...
Nisso, o feirante não havia percebido que o negão tinha vindo junto com ele. Quando olhou pra trás, emendou no repente:
- agora, esse moreninho simpático aqui ‘tá querendo comprar a outra metade... vamos vender, né, amigo?!
Causo (verídico) adaptado do Baú da Putaria, de Rua Vieira (Campina Grande, Maxgraf, 2008).
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